Terça-feira, 27 de Março de 2007

Microficção - Afectos

 

 

Eram cada vez mais raros os instantes em que não estivessemos juntas, Alzira sentou.se perto da janela, cabisbaixa, sem fazer qualquer comentário à minha conversa

Aproximei.me e toquei.lhe na face

“Então amiga, o gato comeu.te a língua”

Ergueu a cabeça e pousou o queixo no meu ombro, Os olhos lânguidos gotejavam pequenas lágrimas. Continuava calada, mas eu sentia o coração dela saltitar, como se quisesse sair-lhe da blusa, Apertou o corpo contra o meu, e ficou ali, imóvel, a suspirar, sem dizer nada, como se um vínculo nos unisse desde sempre e nos tornasse cada vez mais dependentes

Por vezes incomodava.me o olhar furtivo, mas subtil com que observava o meu corpo enquanto me despia, Habituei.me, e comecei a achar natural a forma como nos encontrávamos no olhar, Os dedos e as pernas entrecruzados por debaixo da roupa, As vozes acariciando.se baixinho, enquanto construíamos puzzles desenhados por mim, e que ela recortava numa caixa de cartão canelado

Houve uma altura em que pensei tratar.se d’uma fantasia de adolescente,  curiosa, em busca d’uma aventura íntima com uma pessoa do mesmo sexo

publicado por Carpinteira às 21:15
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